3 de set de 2011

Como vender coco

Há quinze anos, numa Kombi, Emir Fayad vende coco num dos pontos mais cenográficos do Rio de Janeiro: ao lado do Monumento Estácio de Sá, no parque do Flamengo. Com uma filha de 22 anos que cursa administração de empresas, está feliz. “Ela é crânio”, diz, orgulhoso. “Mas não sabe cortar coco.”. Se você é daqueles que vende o coco na sua empresa, veja o que pode aprender com quem entende mesmo do assunto:

"Se você tratar bem o guia, está conquistando o turista. É ele que vai trazer o cliente. Sempre tenho à mão um folheto falando dos benefícios do coco. Um cliente fez uma versão em inglês. Também tenho o texto em alemão, chinês, francês e japonês, feitos por outros clientes.".

"Os turistas ficam abismados quando você coloca o coco na mão e dá aquela cortada com o facão. Seria muito mais prático e fácil usar furadeira. Mas a graça, para o turista, está no facão.”.

"Aprendi que, para conquistar, você precisa sorrir e agradecer a presença dos clientes. Outra coisa importante é gravar o nome do freguês. Assim ele fica mais próximo e te dá preferência.”.

"O “cliente quatro estações” tem de ser muito bem atendido porque é ele que me sustenta o ano inteiro. Ou melhor, ela, porque a maior parte da freguesia é mulher. São elas que decidem onde e quando a família vai interromper a caminhada para descansar.”.

"Adoro minha coleção de clientes caninos. Tem a Cheirosa, o Leo, que bebe coco todo dia (o cachorro, não o dono).”.

"Tenho muito cuidado com o que vendo, não encomendo mais do que acho que vou vender. É que coco tem prazo de validade.”.

"Quando está um calor de rachar meu fornecedor fica totalmente atolado. Quer abraçar o mundo com as mãos. Para conseguir meu coco do dia preciso ligar para outro fornecedor.”.

“Em quinze anos de ambulante, só falto mesmo em dias de muita chuva. Assim perco menos dinheiro.”.

Fonte: piauí_março_2010

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