13 de out de 2009

O Tubarão Solidário

Pessoal,

História com bicho que fala é coisa muito séria. A fábula é um meio de passar uma mensagem de uma forma simples e eficiente, como comprovam os mestres fabulosos La Fontaine e Millôr.
Só para me exercitar neste dificílimo terreno, escrevi uma fábula em 2002 quando um acidente industrial poluiu o Rio Pomba e o Rio Paraíba do Sul. Na mesma época, banhistas mataram covardemente, à pauladas, um tubarão no litoral do Rio de Janeiro.
De Martini

O TUBARÃO SOLIDÁRIO

O tubarão vinha lá dos mares do Espirito Santo onde testemunhou uma devastação total. Milhares de peixes mortos, plantas aquáticas destruídas, pessoas sem água para beber, lavar roupa, tomar banho e sem poder trabalhar. A causa deste fim de mundo, segundo dois pescadores que conversavam em um barco, foi uma indústria em Cataguazes. O tubarão pensou:

“Esta história parece mesmo de pescador: como pode uma empresa no interior de Minas Gerais, que nem praia tem, contaminar o Oceano Atlântico ?”

Mas o fato é que o tubarão, habitante daquela região do mar há muitos anos, assim como todos os seus antepassados, estava preocupado com as consequências que aquele produto químico poderiam causar nas espécies vivas. Então, ele resolveu sair por aí, nadando e informando aos desavisados que se afastassem daquela corrente marítima escura e perigosa. Quando ele se aproximou de um homem, disse respeitosamente, pois sabia que o cinema americano tinha queimado o seu filme, injustamente, desde “Tubarão”:

“Cidadão, com licença, mas acabei de passar por uma mancha escura e perigosa no mar e ela está vindo nesta direção. Recomendo que o senhor, agora mesmo, saia da água”.

O homem, ao perceber a presença do tubarão, começou a gritar por socorro, sendo prontamente atendido por uma multidão enfurecida que acabou com o tubarão em três pauladas. O tubarão ainda teve força de murmurar moribundo:
"Eu é que tenho fama de feroz. Mas a atrocidade com o meio ambiente e com os animais quem comete é o homem".

2 comentários:

Deiner disse...

A crueldade é inerente ao ser humano. As religiões longe de amenizar a maldade humana só promoveram e promovem guerras, genocídios e crimes brutais em nome dos seus diversos deuses.
A humanidade só estará em paz, quando parar de matar animais para comer sua carne.
Por sermos os maiores predadores do planeta, todos os males que afligem os animais são nossa responsabilidade e não há pedidos de desculpas que amenizem isso.
Deiner Barbosa

Anônimo disse...

A admiração que sentia pelo trabalho de vocês, só cresce ao perceber o engajamento na causa animal, que tem tudo a ver.
Já nadei com tubarões algumas vezes, e sabendo respeitá-los é uma experiência de puro deslumbramento.
Rafaela